sábado, 23 de fevereiro de 2008

Folha de caderno

Desfruto, incrédulo mas integralmente, deste momento. 

Eu, que passei pelo mundo de braços dados com a solidão e guiado pela inquietude, agora vejo-me face a face com a calma.

Eu, que me habituei a espremer o sumo do sofrimento e fazer dele vinho para me curar as dores, para trazer algum entendimento. Eu, que vivia bastando-me diante de tanta estranheza e desconfiança causada pelo outro. Eu, que busquei em vão por iguais, sabendo-me estranho.

Mas uma pequena flor tomou conta do meu mundo, o encheu de cores e risos e perfumes. Minha flor alegre e macia, que me envolve em aconchego e me preenche, que cresce a cada dia, mas sempre cabe.

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