quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Prólogo de um livro não escrito



Não poderia ser em outra pessoa, senão na primeira, que poderia se contar esta história, justamente por ser a minha.
Mesquinha, egoísta e insistemente minha.

Esse pequeno detalhe implicará na enfadonha tarefa de falar sobre mim quase o tempo todo e justo motivo pelo qual aconselho que se largue este livro e troque-o por outro de maior utilidade. Em contrário do que se possa sugerir, não é destinado a ninguém senão a mim mesmo.

Quando minha vida começou, não veio anjo nenhum nem disse nada, mas algo arrebatador surgiu violento e trepidante pra me atirar eternamente à inquietude.

Tratava-se de um enorme máquina amarela, que me fez dizer a primeira palavra:

Trator.

Imagine quanta decepção e estranheza para uma mãe...

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